O presidente Lula defende que sindicatos, empresários, juristas e até entidades religiosas participem da escolha de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A proposta, apresentada pelo petista em uma das últimas entrevistas antes do primeiro turno, teria o objetivo de reduzir o peso da vontade presidencial das indicações, mas juristas avaliam que a medida pode justamente ampliar a influência política sobre as nomeações. A nomeação de ministros para o STF, atualmente, é feita pelo presidente da República e posteriormente submetida à aprovação do Senado. A proposta de Lula, no entanto, não foi detalhada.

Em entrevista ao Canal Livre, da Band, no último dia 27, o presidente afirmou que pretende discutir eventuais mudanças com juristas, advogados, acadêmicos e representantes da sociedade civil antes de apresentar um formato definitivo. Ao defender que os indicados ao STF sejam submetidos ao crivo de uma comissão de notáveis, Lula citou como possíveis participantes a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), entidades de juristas, sindicatos e representantes do setor empresarial. A ideia surge em meio às discussões sobre o peso das indicações presidenciais e o equilíbrio entre os Poderes.

Juristas ouvidos pela Gazeta do Povo avaliam que a inclusão de sindicatos e entidades empresariais pode abrir espaço para barganhas políticas e ampliar a influência de grupos organizados sobre a composição da Corte. A proposta ainda não tem formato definido e depende de eventual discussão com a sociedade civil e o Congresso. O tema ganha relevância no segundo turno, quando a composição do Senado e a escolha do próximo presidente podem definir o futuro das indicações ao STF.