Nesta segunda, o deputado reeleito André Janones, da Rede de Minas e uma das vozes da campanha de Lula, escreveu que conhece o coração de Cleitinho Azevedo, que o considera um amigo e que o governador eleito pode ser o nome que o país espera para romper a polarização, chamando-o de esquerda popular, não da esquerda caviar, e ao mesmo tempo de direita, por ser contra o aborto e a favor de menos imposto, da família e da fé, até fechar com a frase de que ele não é de um lado nem do outro, é povo.

A jogada está feita e cai nela quem quiser, porque no mesmo dia Cleitinho disse a O Tempo e à Gazeta do Povo que vai apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno, apoio que ele afirma ter prometido ainda em janeiro, pedindo em troca um compromisso com a dívida de Minas, que a Gazeta situou em cerca de R$ 160 bilhões, de modo que aceitar o rótulo escrito por um aliado de Lula, horas depois de derrotar o PT, seria trocar o voto que acabou de receber por uma história contada pelo lado que perdeu.

O G1 registrou a vitória no primeiro turno com 55,40% dos votos válidos, 6.321.261 votos, contra 26,34% de Patrus Ananias, 3.005.635, uma diferença de 3.315.626 votos e a maior vantagem de primeiro turno em Minas em 20 anos, e o próprio Janones admitiu, no Correio Braziliense, que se a esquerda tivesse falado como Cleitinho, em vez de terras raras, soberania e o que ele chamou de agenda woke, o resultado de ontem poderia ter sido outro, o que mostra de que lado saiu o elogio e por que o governador eleito seria ingênuo se deixasse esse texto reescrever quem ele é.