Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, enviou carta de oito páginas ao ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF). No documento, escrito com ajuda da filha, ele nega ser da máfia, reclama da prisão e se diz vítima de “equívoco total e absoluto”.

CONTEÚDO DA CARTA

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, Henrique Vorcaro afirma: “Não sou bandido, não sou máfia”. Ele descreve mal-estar físico após a prisão e menciona orações que o ajudaram a melhorar. A carta admite conhecimento de grampos, contato com sicário há 10 anos e uso de celular “não grampeado” fornecido pelo sicário, inclusive para falar com operadores do jogo do bicho.

ANÁLISE E CONTEXTO

A carta, embora endereçada a Mendonça, é vista como tentativa de dar tração às críticas de Gilmar Mendes contra as investigações do caso Master. O objetivo seria descredibilizar a operação, pintando-a como “crueldade” semelhante à Lava Jato. Henrique Vorcaro é apontado como figura central da “turma” que comandava o esquema, com acesso a informações sigilosas da polícia e poderes.

CRÍTICA CONSERVADORA

O apelo emocional e religioso na carta é interpretado como estratégia para sensibilizar o ministro evangélico. Enquanto a família Vorcaro tenta humanizar o caso, as investigações apontam esquema sofisticado de lavagem de dinheiro, influência e intimidação, incluindo ameaças a jornalistas como Lauro Jardim.

O episódio reforça a necessidade de apuração rigorosa, sem interferências, para esclarecer as ramificações do caso Master.