O Metrópoles publicou neste sábado (3) o que encontrou em grupos de Telegram acompanhados nas últimas semanas: desorganização, briga de partido, troca de acusação e um desejo comum de mobilização para derrubar o sistema político do Brasil, no modelo dos protestos violentos da Geração Z que, em setembro de 2025, tiraram o primeiro-ministro do Nepal do cargo. São brasileiros que tomam aquele levante asiático como exemplo e tentam se articular daqui.

Essa rede já esteve na mira da polícia. Uma operação da Polícia Civil do Rio identificou planos de atos terroristas, e três pessoas foram presas em Brasília, no Rio e em São Paulo, sob suspeita de preparar ataques para chamar atenção para a causa. Depois disso o grupo perdeu força. As conversas, que antes giravam em torno de copiar o que os jovens nepaleses fizeram, se espalharam por outros assuntos, e a própria Geração Z brasileira passou a dizer que queria uma revolução por manifestações pacíficas.

O tom voltou a subir nos últimos dias, com o primeiro turno marcado para este domingo (4). No dia 17 de setembro, um usuário perguntou como estava a movimentação dos protestos. Outro, em mensagem enviada já perto da eleição, pediu apoio, disse que tinha uma ideia e que precisava de gente disposta a agir, não só a falar, porque “nesse momento de eleições todos os olhos do mundo estarão voltados para nós”. Os administradores de um grupo com mais de 7 mil pessoas de todo o país puxaram o freio. Um deles escreveu que primeiro é preciso conquistar mais apoiadores e se organizar, e só depois pensar em ato público. A frase foi: “Primeiro, organização. Depois, mobilização.” O que o Metrópoles mostrou é conversa de grupo, não um ato marcado com data, local e gente na rua.