GILMAR MENDES REPREENDE MENDONÇA EM VOTO QUE MANTEVE PRISÃO DE VORCARO
Decano do STF forma unanimidade pela custódia do banqueiro, mas compara condução do Caso Master à Lava Jato e critica uso de investigados como "instrumento simbólico".
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal consolidou, na noite de sexta-feira (20 de março de 2026), a unanimidade para manter a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. De acordo com informações da correspondente Paola Cuenca, do SBT News, o ministro Gilmar Mendes registrou o último voto do julgamento, acompanhando o relator André Mendonça no resultado prático, mas disparando uma série de críticas severas à forma como o magistrado vem conduzindo o inquérito.
CRÍTICAS AO USO DE "CONCEITOS ELÁSTICOS" E CLICHÊS
No conteúdo de seu voto, Gilmar Mendes repreendeu Mendonça por utilizar o que chamou de "conceitos elásticos" e fórmulas prontas para justificar a prisão. Conforme reportagem do SBT, o decano afirmou que as expressões usadas pelo relator são "clichês que serviriam para justificar a prisão de qualquer pessoa acusada de um crime". Para Gilmar, a utilização da prisão preventiva como resposta a expectativas sociais de repressão imediata é um ato "incompatível com a própria Constituição Federal", pois permite a instrumentalização de réus para satisfazer anseios populares.

COMPARAÇÃO COM A LAVA JATO E DEFESA DA PGR
O ministro mais antigo da Corte não poupou comparações com a Operação Lava Jato, da qual é um histórico opositor. Gilmar sustentou que, "num passado recente, as mesmas fórmulas foram usadas para justificar abusos contra alvos de persecução penal baseada em razões políticas e ideológicas". Além disso, ele defendeu a Procuradoria-Geral da República (PGR), criticando Mendonça por não ter esperado o prazo solicitado pelo órgão para analisar o material da Polícia Federal antes de decretar a prisão de Vorcaro.

VAZAMENTOS SELETIVOS E A "CHACOTA" DE INVESTIGADOS
A atuação da imprensa também foi alvo do descontentamento de Gilmar Mendes. O ministro criticou o que classificou como "vazamentos seletivos" que levaram à exposição indevida e à "chacota" de investigados no Caso Master. Segundo ele, o acesso de Vorcaro a dados sigilosos do Ministério Público, apontado pela PF, já seria fundamento técnico suficiente para a prisão por risco de interferência, tornando desnecessários os argumentos de "afirmação simbólica da credibilidade das instituições" usados por Mendonça.

REAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DE ANDRÉ MENDONÇA
Apesar da dureza nas palavras, o voto de Gilmar Mendes foi visto como um movimento estratégico para evitar o desgaste de votar pela soltura de um banqueiro em meio a escândalos bilionários. Ao concordar com a prisão por "interferência nas investigações", o decano manteve a punição, mas deixou registrado seu protesto contra o método de Mendonça. Para o público que acompanha o tribunal, o episódio reforça a divisão entre a ala garantista, liderada por Gilmar, e a ala que busca uma resposta mais enérgica contra crimes financeiros, representada pelo relator.

ANÁLISE DO EDITORIAL CENTRAL
Para o Editorial Central, a postura de Gilmar Mendes soa como uma tentativa de enfraquecer a autoridade de André Mendonça no exato momento em que as investigações avançam sobre o sistema político e financeiro. Ao evocar o fantasma da Lava Jato, Gilmar tenta deslegitimar a atuação técnica de um ministro que tem se mostrado imune a pressões de bastidores. O uso do termo "clichês" para desqualificar a ordem pública é uma afronta à necessidade de rigor contra quem tenta destruir provas e corromper o sistema. Seguiremos vigilantes para que o garantismo não se torne o tapete vermelho para a impunidade.
Limite diário atingido
Você atingiu seu limite diário de três notícias, faça seu cadastro para ver mais notícias.


