Em conversa com um interlocutor do meio político, Gilmar Mendes não fez alarde da votação recorde de bolsonaristas para o Senado, a Casa que vota impeachment de ministro do STF, e a coluna de Bela Megale no Globo registrou a frase com que ele respondeu sobre o futuro da relação entre a Corte e o Congresso: “Sou um enfermeiro que já viu muito sangue. Não me afobo”.

Os números que ele tem diante de si são outros. O PL elegeu 19 senadores neste domingo e passa de um terço das 81 cadeiras, e, somados os eleitos de outras legendas favoráveis ao impeachment, a coluna fala em 51 nomes. Em dezembro, o próprio Gilmar elevou de 41 para 54 o quórum para afastar um ministro, acima da maioria simples prevista na lei, segundo a coluna de Malu Gaspar, de modo que a bancada que chegou ainda fica abaixo da trava que ele desenhou.

O mesmo decano já tinha sido procurado pela campanha de Flávio Bolsonaro. Rogério Marinho, coordenador, conversou com Gilmar e com outros ministros, deixou Alexandre de Moraes e Flávio Dino de fora da lista e disse a integrantes da Corte que uma vitória de Flávio não traria sentimento de vingança. O enfermeiro diz que não se afoba. O Senado que pode abrir o processo é o que acaba de crescer.