Parte dos generais espera que o senador Flávio Bolsonaro evite vingança contra o Exército e adote uma postura mais moderada em relação aos comandantes militares do que a demonstrada por seu pai, Jair Bolsonaro, durante o governo. A expectativa foi relatada pelo jornalista Marcelo Godoy em coluna publicada no Estadão nesta segunda-feira, 12. Oficiais da cúpula acreditam que Flávio teria maior disposição para ouvir aconselhamentos e dialogar com o comando das Forças Armadas.

A influência da chamada “turma de Miami”, associada a Eduardo Bolsonaro e ao comentarista Paulo Figueiredo, preocupa nos bastidores militares. Os ataques de aliados bolsonaristas aos chamados “melancias” ainda pesam nas discussões. A preocupação não se limita a declarações nas redes sociais e envolve possíveis retaliações ou mudanças no comando. Em 6 de outubro, o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha, afirmou após reunião com o presidente do STF Edson Fachin que “não haverá vingança nem omissão” em relação aos ministros da Corte.

A cúpula militar avalia cenários de um eventual governo Flávio, incluindo o combate ao crime organizado e relações com os Estados Unidos. A expectativa de moderação coexiste com o receio de que pressões externas ou de grupos próximos ao senador influenciem indicações e a relação com o Exército. O debate ocorre enquanto Flávio lidera as pesquisas de segundo turno contra Lula.