A colunista Roseann Kennedy, do Estadão, disse que foi depois da reunião de Alexandre de Moraes com a cúpula da Polícia Federal que Luiz Fux pediu à área técnica do Supremo acesso às investigações sob sigilo que estão na relatoria de Moraes, no pacote que inclui as fake news e a trama golpista. O encontro foi na terça-feira, 6, no gabinete do ministro, sem registro na agenda oficial, e reuniu o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, o diretor de Inteligência, Leandro Almada, e Dennis Cali, da área de combate ao crime organizado. Nem o Supremo nem a Polícia Federal informaram o assunto.

A coluna de Malu Gaspar, no Globo, apurou com interlocutores de ministros que receber os três chefes ao mesmo tempo não é o habitual, porque em inquérito específico o ministro se reúne com o delegado do caso, e que a presença conjunta só costuma ocorrer quando alguma operação especial está sendo planejada. Fontes ligadas a Moraes disseram ao mesmo jornal que a conversa foi de trabalho, sobre investigações que já estavam no gabinete, e que não teve relação com o relatório do caso Master. Logo depois do encontro, Moraes foi ao gabinete de Edson Fachin, e isso aumentou o receio, na ala próxima de André Mendonça, de uma tentativa de retomar o inquérito das fake news, que desde 9 de setembro está sob o controle do presidente da Corte, ou de desarmar alguma bomba dessa investigação.

Na quinta-feira, 8, Fux deu 48 horas para a Secretaria Judiciária entregar a íntegra das fake news, das milícias digitais e do plano golpista, para checar se procedem as irregularidades que o PP atribui a Moraes, entre elas abrir inquérito de ofício, sem pedido do Ministério Público, e conduzir a investigação e o julgamento ao mesmo tempo. Na decisão, ele escreveu que negar esse acesso seria tirar do controle da Corte processos que são do próprio Supremo, e não de um relator. A CNN registrou que o pedido também se liga a uma ação da defesa de Jair Bolsonaro e que uma decisão sobre esses autos pode levar à anulação das condenações do ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar, a 16 dias do segundo turno.