FUGA DE EMPRESAS BRASILEIRAS PARA O PARAGUAI EXPÕE O CAOS TRIBUTÁRIO
Sob o peso de impostos sufocantes e insegurança jurídica, centenas de indústrias nacionais cruzam a fronteira em busca de sobrevivência.
O Brasil enfrenta um êxodo industrial sem precedentes, com 232 empresas nacionais migrando para o Paraguai nos últimos anos, impulsionadas pela carga tributária asfixiante e pelo ambiente de negócios hostil mantido pelo governo federal. A fuga, que atinge setores estratégicos como o têxtil e de confecções, reflete o fracasso de uma política econômica que prioriza a arrecadação predatória em detrimento da competitividade e da geração de empregos em território nacional.
O CASO DA LUPO E A DESINDUSTRIALIZAÇÃO
A centenária fabricante de meias Lupo ilustra com clareza o drama do empreendedor brasileiro. Após 104 anos de história, a companhia foi forçada a inaugurar uma unidade em Ciudad del Este, no Paraguai, para reduzir custos operacionais em aproximadamente 28%. A CEO da empresa, Liliana Aufiero, foi direta ao relatar a situação: "Não é que a Lupo foi para o Paraguai; o Brasil nos empurrou para lá". A mudança foi uma resposta emergencial à Lei número 14.789 de 2023, sancionada pelo governo petista, que eliminou a isenção de tributos federais sobre incentivos fiscais estaduais, golpeando duramente a competitividade das indústrias.
O CUSTO BRASIL COMO ESPANQUE DO CAPITAL
Enquanto o Brasil insiste em um sistema com mais de 90 tributos distintos e uma média de 1.500 horas anuais para cumprimento de obrigações fiscais, o Paraguai oferece um regime simplificado com imposto único de 10% e energia elétrica até 60% mais barata. O regime de maquila paraguaio permite que empresas importem insumos com tributação reduzida, tornando o país vizinho um refúgio para quem busca previsibilidade. A comparação é devastadora: o empresário que cruza a fronteira encontra um ambiente onde a produção não é punida como pecado, mas incentivada como motor de prosperidade.
CONSEQUÊNCIAS E A OMISSÃO DO ESTADO
O esvaziamento das fábricas brasileiras não é um acidente, mas o resultado direto de um modelo de Estado que atua como competidor predatório. Dados de mercado indicam que empresas que migram chegam a registrar lucros até 150% maiores no Paraguai. O governo, contudo, ignora os alertas de especialistas sobre o risco de desindustrialização, focando apenas em metas de arrecadação que, paradoxalmente, acabam expulsando os contribuintes que sustentam a máquina pública. A perda de empregos formais e a evasão de investimentos são o preço pago pela teimosia ideológica em manter uma estrutura tributária que expulsa quem produz.
O FUTURO DO EMPREENDEDORISMO NACIONAL
Diante da fuga de centenas de empresas, a pergunta que resta aos brasileiros é até quando o país conseguirá sustentar seu modelo de exploração fiscal. Analistas advertem que, sem reformas profundas que tragam liberdade econômica, previsibilidade nas regras e redução da carga de impostos, a migração de capitais continuará sendo a única saída para empresas que buscam não apenas sobreviver, mas competir em igualdade no mercado global. O Brasil está, em última análise, assistindo à desintegração de sua base industrial pela ganância de uma gestão estatal que insiste em punir a iniciativa privada.

