O avanço do crime organizado transnacional e suas ramificações políticas na América Latina ganharam um capítulo alarmante neste domingo. Uma faixa com mensagens ameaçadoras atribuída à facção criminosa brasileira Primeiro Comando da Capital foi encontrada pendurada em uma passarela de pedestres no terminal rodoviário de Sacaba, na região de Cochabamba, na Bolívia. O texto mirou diretamente o ex-presidente boliviano Evo Morales, explicitando a cobrança dos criminosos: Evo, é a DEA ou nós? Cumpra sua promessa. PCC.

A mensagem permaneceu exposta durante toda a manhã para motoristas e pedestres que circulavam pela Avenida Villazón, uma das principais vias da região. O episódio joga luz sobre as históricas denúncias da oposição conservadora a respeito da complacência e dos supostos vínculos de lideranças da esquerda cocaleira boliviana com o narcotráfico internacional, que utiliza o território do país vizinho como base estratégica para o escoamento de cocaína em direção ao Brasil e à Europa.

O ALERTA APÓS AS FACÇÕES ENTRAREM NA LISTA DE TERRORISMO DE TRUMP

O surgimento da faixa em Cochabamba acontece apenas três dias após uma decisão histórica e contundente adotada pelo governo dos Estados Unidos. No dia 28 de maio, o Departamento de Estado norte-americano anunciou que o PCC e o Comando Vermelho serão oficialmente incluídos na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras a partir do dia 5 de junho de 2026. Ao fundamentar a medida, o presidente Donald Trump classificou as duas facções como as maiores estruturas criminosas do Brasil, responsabilizando-as por ataques brutais contra policiais, autoridades e cidadãos civis.

De acordo com investigações publicadas pelo jornal boliviano El Deber, a organização criminosa brasileira possui forte atuação nos departamentos de Santa Cruz, Beni e Pando, onde controla rotas consolidadas de tráfico de drogas, contrabando de armas e lavagem de dinheiro. O recrudescimento da postura dos Estados Unidos, ampliando sanções financeiras e operacionais contra esses grupos, parece ter desestabilizado os acordos de bastidores na região do Chapare, reduto político de Evo Morales, desencadeando cobranças públicas por parte dos criminosos.

O QUE O BRASILEIRO PRECISA ENTENDER

A ameaça explícita contra o ex-presidente da Bolívia reforça o argumento de parlamentares e analistas de direita de que as políticas de leniência com a criminalidade promovidas pelo Foro de São Paulo cobram um preço alto das próprias nações parceiras. Sob a justificativa de soberania, o governo do partido de Evo Morales expulsou a agência antidrogas americana no passado, abrindo caminho para que o crime organizado brasileiro ocupasse o vácuo de poder e transformasse a Bolívia em um santuário para o tráfico de entorpecentes.

Até o momento, o ex-presidente Evo Morales não se pronunciou oficialmente sobre o teor da faixa ou sobre as acusações de promessas descumpridas contidas na mensagem deixada na passarela. O silêncio das autoridades bolivianas e do próprio líder esquerdista acentua a gravidade da crise institucional na região, enquanto a direita sul-americana celebra o endurecimento de Washington contra as facções terroristas que ameaçam a segurança e a soberania das fronteiras do Brasil.