O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, retirou Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news nesta quarta-feira (9). A investigação, aberta em 2019 e conduzida por Moraes durante sete anos, passa imediatamente ao comando da Presidência da Corte. Fachin preservou a validade dos atos já praticados e não determinou o encerramento do inquérito, mas centralizou em seu gabinete os próximos passos do procedimento.

Na mesma decisão, Fachin suspendeu as determinações conflitantes de André Mendonça e Flávio Dino sobre o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada. Na prática, Andrei permanece no cargo e terá 48 horas para apresentar informações antes que sua continuidade seja analisada. O presidente do Supremo afirmou que a sucessão de decisões sobre fatos e autoridades coincidentes criou risco de comandos contraditórios e de tumulto processual.

Fachin também suspendeu procedimentos que tratam de possíveis investigações contra ministros do STF e convocou uma sessão plenária extraordinária para terça-feira, 15 de setembro, às 10h. O colegiado deverá analisar, entre outros pontos, se Alexandre de Moraes será investigado pelas suspeitas relacionadas às mensagens de Daniel Vorcaro e ao Banco Master. Moraes nega irregularidades. A retirada da relatoria representa a intervenção mais direta de Fachin desde o início da crise e encerra, ao menos por enquanto, o controle de Moraes sobre um dos inquéritos mais controversos da história recente do Supremo.