Carla Ariane Trindade, ex-nora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal em novembro de 2025 na Operação Coffee Break, que apura suspeitas de fraudes em licitações e desvios de recursos da educação. Segundo a investigação, Carla teria atuado em Brasília em defesa dos interesses da Life Tecnologia Educacional, empresa investigada, inclusive na busca por recursos e contratos. Quando os agentes chegaram à residência dela, em Campinas (SP), por volta das 6h, foram recebidos por Marcos Cláudio Lula da Silva, filho adotivo de Lula e ex-marido de Carla, que estava no imóvel com familiares.

Documentos da investigação apontam que Carla realizou viagens a Brasília custeadas pelo empresário André Mariano, dono da Life, e registrou entradas no Palácio do Planalto. A Câmara dos Deputados também registrou requerimento de convocação do ministro da Educação, Camilo Santana, para explicar uma reunião realizada fora da agenda oficial com Carla em julho de 2024. Em investigação distinta, a PF apura Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por suspeitas de tráfico de influência e corrupção relacionadas a negociações no Ministério da Saúde. A defesa de Lulinha nega irregularidades; a defesa de Carla também negou as acusações. Em maio de 2026, o TCU arquivou uma representação de Flávio Bolsonaro sobre o caso da Life por falta de indícios mínimos apresentados naquele processo, decisão que não encerrou o inquérito da PF.

A presença de pessoas ligadas à família presidencial em investigações distintas envolvendo suspeitas de intermediação de interesses privados perante órgãos federais aumenta a pressão política por esclarecimentos sobre os mecanismos de acesso ao governo e a transparência das agendas oficiais. Essas circunstâncias, porém, não demonstram por si só que Lula ou integrantes do governo tivessem conhecimento de eventuais ilícitos, nem que Marcos Cláudio participasse do esquema investigado. As responsabilidades são individuais e dependem das provas reunidas em cada investigação; os casos permanecem sujeitos ao devido processo legal.