ESVAZIAMENTO HISTÓRICO: CHIQUINI IRONIZA AUSÊNCIA DE MINISTROS NO EVENTO DE GILMAR MENDES EM LISBOA
Apontado como reflexo de investigações sobre patrocínios milionários, o tradicional Fórum de Lisboa registra esvaziamento de autoridades e protestos em Portugal.
O tradicional Fórum Jurídico de Lisboa, ironicamente apelidado nos bastidores políticos de Gilmarpalooza, sofreu um esvaziamento sem precedentes em sua edição mais recente. Organizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, o evento costumava arrastar dezenas de autoridades brasileiras para Portugal com forte ostentação. No entanto, o cenário mudou drasticamente. O advogado Jeffrey Chiquini apontou publicamente que a debandada de ministros do STF, do Superior Tribunal de Justiça e de lideranças políticas do Congresso Nacional coincide diretamente com o cerco das investigações sobre os financiadores do fórum. De acordo com Chiquini, a ausência massiva de figuras do primeiro escalão de Brasília revela o tamanho do desgaste institucional que atinge a cúpula do Judiciário brasileiro.
O FIM DOS PATROCÍNIOS MILIONÁRIOS
A explicação para as cadeiras vazias na capital portuguesa aponta para os cofres que financiavam a estrutura do evento. Investigações da Polícia Federal revelaram que, em edições anteriores como a de 2024, o Banco Master despejou cerca de 11 milhões de dólares, o equivalente a aproximadamente 60 milhões de reais, para bancar as despesas e viagens de autoridades ao fórum organizado por Gilmar Mendes. Com a exposição pública dos dados financeiros e o avanço das apurações policiais sobre o banco, a torneira de recursos secou. O resultado prático foi o isolamento dos organizadores. Diferente dos anos anteriores, em que o evento transbordava influência política, desta vez apenas dois ministros da Suprema Corte compareceram ao local: o próprio Gilmar Mendes e o ministro Alexandre de Moraes. Até mesmo aliados históricos do Judiciário no Legislativo cancelaram as agendas de viagem.
CONSTRANGIMENTO E COBRANÇA NAS RUAS DE LISBOA
Além do isolamento político, a edição ficou marcada pelo forte clima de hostilidade enfrentado pelos magistrados fora do Brasil. O jornalista português Sérgio Tavares confrontou diretamente o ministro Gilmar Mendes nas ruas de Lisboa, questionando a legitimidade dos inquéritos políticos conduzidos pela Corte e as decisões voltadas à censura de opositores. O ministro, que caminhava cercado por seguranças particulares e sem a habitual companhia de políticos brasileiros, evitou responder aos questionamentos sobre as prisões de manifestantes e as perseguições políticas no Brasil. Para analistas, as imagens do ministro isolado em Portugal expõem uma realidade incômoda: as decisões tomadas em Brasília romperam a barreira da opinião pública e a blindagem institucional já não consegue esconder o desgaste internacional sofrido pelos membros do tribunal.

