O ex-assessor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eduardo Tagliaferro, voltou a desafiar abertamente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Em um vídeo enviado com exclusividade à coluna da jornalista Manoela Alcântara no portal Metrópoles, Tagliaferro utilizou de forte tom de ironia para afirmar que "tem muito a contar" contra o magistrado, sugerindo possuir novos bastidores sobre as ordens informais que marcaram sua passagem pelo tribunal. Paralelamente ao barulho político de suas declarações, o ex-assessor obteve uma vitória profissional e jurídica significativa: ele foi formalmente habilitado por uma juíza do Paraná como perito técnico em uma milionária ação judicial que tramita contra o Banco Itaú. O retorno de Tagliaferro aos holofotes ocorre após uma série de derrotas institucionais de Moraes, que tentou, sem sucesso, extraditar o ex-aliado da Europa para prendê-lo no Brasil.

QUEM É EDUARDO TAGLIAFERRO E COMO SE TORNOU CONHECIDO

Eduardo Tagliaferro é um especialista em crimes cibernéticos e segurança de dados que ganhou notoriedade nacional ao ser apontado como o operador do "gabinete secreto" de Alexandre de Moraes no TSE. Ele ocupou o cargo de chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEAD) do tribunal durante cerca de um ano e meio, entre 2022 e meados de 2023. Tagliaferro era o homem de total confiança do ministro para rastrear, mapear e produzir relatórios de monitoramento contra perfis de direita, bolsonaristas e jornalistas conservadores. Sua demissão ocorreu em maio de 2023, após ele ser preso em São Paulo em decorrência de uma briga doméstica de âmbito privado, o que levou à sua imediata exoneração do cargo público por conveniência administrativa da corte.

AS DENÚNCIAS CONTRA MORAES E O ESCÂNDALO DOS VAZAMENTOS

O nome de Tagliaferro transformou-se em uma bomba política quando mensagens de seu aparelho celular — apreendido pela Polícia Civil de São Paulo e posteriormente enviado ao STF — foram vazadas pela imprensa nacional. Os diálogos revelaram que Moraes utilizava o órgão de inteligência do TSE como um braço informal para abastecer com relatórios encomendados o Inquérito das Fake News no STF, ignorando os ritos legais e o papel constitucional da Procuradoria-Geral da República (PGR). Tagliaferro confirmou publicamente as denúncias, afirmando em depoimentos e entrevistas que recebia ordens diretas e informais de assessores de Moraes para "achar algo" contra alvos políticos pré-determinados, configurando o que juristas conservadores classificaram como o maior escândalo de ativismo judicial e instrumentalização do Estado da história recente do país.

A FUGA PARA A ITÁLIA E A DERROTA DE MORAES NA EXTRADIÇÃO

Sentindo-se ameaçado pelas investigações conduzidas pelo próprio magistrado que denunciava, Tagliaferro fugiu do Brasil e buscou refúgio na Itália, país onde possui cidadania. A reação do gabinete de Alexandre de Moraes foi imediata: o ministro determinou a inclusão do ex-assessor em inquéritos sigilosos do STF e acionou os mecanismos de cooperação internacional para tentar sua extradição e prisão preventiva. No entanto, o Judiciário italiano e as autoridades europeias impuseram uma derrota humilhante a Alexandre de Moraes, ao negarem o pedido de extradição por considerarem que o processo movido no Brasil possuía nítidos contornos de perseguição política e violação das garantias fundamentais do devido processo legal. Protegido pela legislação internacional, ele permanece fora do alcance das ordens de prisão da corte brasileira.

REAÇÕES POLÍTICAS E O NOVO PAPEL COMO PERITO

A revelação de que Tagliaferro está atuando como perito técnico em uma ação contra o Itaú no Paraná gerou forte repercussão. A nomeação, assinada por uma magistrada estadual, prova que, apesar da pressão exercida pelo STF, Tagliaferro mantém suas credenciais técnicas validadas por setores do próprio Judiciário de primeira instância, que ignoraram o cerco político de Brasília. Nas redes sociais e no Congresso, parlamentares da oposição e bolsonaristas celebraram o novo posicionamento do ex-assessor, apontando que sua liberdade na Europa e sua capacidade de ironizar o ministro demonstram o enfraquecimento das medidas de exceção adotadas pelo STF. O vídeo enviado ao Metrópoles reacendeu o temor nos bastidores do governo Lula e do Judiciário de que Tagliaferro possa expor arquivos ainda inéditos que comprometam a lisura das ações tomadas durante o processo eleitoral de 2022.

CONSEQUÊNCIAS E DESDOBRAMENTOS INSTITUCIONAIS

A persistência de Eduardo Tagliaferro em fustigar o STF a partir do exterior aprofunda a crise de credibilidade da corte. Juridicamente, sua atuação como perito no Paraná demonstra o isolamento de certas ordens de Brasília no interior do país. Politicamente, suas declarações servem de combustível para a alimentação dos pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes no Senado Federal, fornecendo materialidade à narrativa de que as investigações contra a direita foram conduzidas por meio de uma estrutura paralela e ilegal. Enquanto o ex-assessor permanecer protegido na Europa enviando provocações gravadas, o fantasma do seu telefone celular continuará assombrando a cúpula do Judiciário brasileiro.