O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro foi a público para negar de forma categórica qualquer tipo de intenção de extinguir ou substituir o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, por uma plataforma originária dos Estados Unidos. Em declaração contundente, o político afirmou: “Jamais substituiria o Pix”. Segundo a sua justificativa técnica, os posicionamentos anteriores que manifestou sobre o tema foram completamente distorcidos por veículos de imprensa e por seus opositores políticos no cenário nacional.

O CONTEXTO DA POLÊMICA COM O GOVERNO AMERICANO

A controvérsia em torno do assunto ganhou força após a circulação de um vídeo no qual o ex-parlamentar analisava as fortes pressões comerciais exercidas por Washington. O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) recomendou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos do Brasil, criticando abertamente o Pix sob a alegação de que a ferramenta prejudicaria a livre concorrência com empresas americanas. Ao comentar o caso, Eduardo citou o sistema norte-americano Zelle como um equivalente tecnológico. A frase que gerou a reação imediata foi: “Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como, por exemplo, o Zelle [...]. Então dá para você ir para uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos, dá para você sentar, dá para negociar”.

A JUSTIFICATIVA E A DEFESA DO SISTEMA NACIONAL

Após passar a receber duras críticas nas redes sociais e por parte de integrantes do governo federal, Eduardo Bolsonaro rebateu as acusações detalhando os eixos de sua posição técnica:

Argumentação de aproximação: Ele afirmou que a menção direta ao Zelle servia unicamente para demonstrar que ambos os países possuem tecnologias parecidas, funcionando como um ponto estratégico de aproximação diplomática e comercial, e não como uma proposta de substituição.

Argumentação de aproximação: Ele afirmou que a menção direta ao Zelle servia unicamente para demonstrar que ambos os países possuem tecnologias parecidas, funcionando como um ponto estratégico de aproximação diplomática e comercial, e não como uma proposta de substituição.

Defesa do sistema nacional: Declarou-se totalmente favorável à ferramenta brasileira e reiterou que o Pix foi integralmente implementado e lançado em novembro de 2020, justamente durante o mandato presidencial de seu pai, Jair Bolsonaro.

Defesa do sistema nacional: Declarou-se totalmente favorável à ferramenta brasileira e reiterou que o Pix foi integralmente implementado e lançado em novembro de 2020, justamente durante o mandato presidencial de seu pai, Jair Bolsonaro.

Garantia de gratuidade: Enfatizou que o modelo atual não realiza a cobrança de taxas da população e que o mecanismo "assim deve permanecer".

Garantia de gratuidade: Enfatizou que o modelo atual não realiza a cobrança de taxas da população e que o mecanismo "assim deve permanecer".

REAÇÕES POLÍTICAS E AS DIFERENÇAS ENTRE PIX E ZELLE

Apesar dos esclarecimentos prestados pelo ex-deputado, as falas iniciais continuaram a alimentar discursos da oposição. Críticos da ala governista utilizaram termos como "vassalagem" e tentaram associar o episódio ao apelido satírico criado por opositores de sua família, "Tariflávio".

Paralelamente, especialistas do mercado e entidades financeiras pontuaram que o Pix e o Zelle operam sob lógicas estruturais totalmente distintas. Enquanto o Pix consiste em uma infraestrutura pública e aberta, gerida e regulada diretamente pelo Banco Central do Brasil com gratuidade para pessoas físicas, o Zelle configura-se como uma rede estritamente privada, controlada por um consórcio dos maiores bancos dos Estados Unidos e integrada aos seus sistemas comerciais privados.