O ministro Flávio Dino determinou nesta quarta-feira (30) que a Polícia Federal investigue o que ele chamou de aparente onda de ataques a imagens religiosas. O despacho não partiu de um pedido da PF nem da Procuradoria-Geral da República. Dino escreveu que as notícias chegaram ao gabinete dele “por vários meios”, depois da decisão de domingo (27), a mesma em que mandou recolocar no ar os posts sobre Nossa Senhora Aparecida.

No texto, ele lista 11 casos noticiados nos últimos meses, em Cuiabá, Salvador, Maceió, Londrina, Rio Grande, Esmeraldas, Jauru, Santo Amaro e Novo Progresso. Fala em ultraje a culto, preconceito religioso, injúria, ameaça, furto, dano, incêndio e violação de domicílio. Também cita um terreiro de umbanda em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. A ordem é que a PF instaure inquérito, por causa da repercussão em vários estados, e que a PGR verifique a necessidade de processo.

A frase que amarra o despacho à eleição está no próprio documento, conforme a Gazeta do Povo: “Após a minha decisão proferida no último domingo visando preservar a liberdade religiosa, especialmente em favor dos participantes do culto à Nossa Senhora Aparecida, chegaram ao gabinete notícias de várias partes do Brasil.” Essa decisão de domingo foi suspensa na segunda (28) por Luiz Fux, que restabeleceu a ordem de André Mendonça para tirar a mentira do ar até o plenário do STF julgar.

No Papo Reto, da BandNews, o colunista Carlos Andreazza tratou o despacho como atuação de “senador militante”. Classificou a investigação como “criação artificial de problema” e disse que não via, na decisão, provocação da Polícia Federal ou da PGR que justificasse a medida. Também questionou se existe, de fato, uma onda de ataques a símbolos religiosos, e afirmou estar “muito descrente” com os rumos do processo eleitoral.