O desgaste do Supremo Tribunal Federal e a associação da imagem do presidente Lula à de Alexandre de Moraes acenderam um alerta em sua campanha à reeleição. Segundo a coluna de Andreza Matais, no Metrópoles, o núcleo eleitoral encomendou pesquisas qualitativas para medir a reação dos eleitores e os possíveis efeitos da crise. Diante do risco político, Lula procurou ministros e pediu argumentos para defender a Corte.

Na sexta-feira (4), Lula reuniu-se com o presidente do STF, Edson Fachin, e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Durante as conversas, surgiu a proposta de retirar da relatoria de André Mendonça o trecho do caso Banco Master que envolve Moraes, numa tentativa de reduzir o confronto entre os ministros. A mudança, entretanto, precisaria respeitar as regras regimentais de distribuição, sem escolha direta do novo relator pela presidência do Supremo.

O movimento revela que a crise deixou de ser apenas institucional e entrou no cálculo eleitoral do Planalto. A permanência de Mendonça à frente dessa parte da investigação é vista dentro da Corte como um fator de continuidade do embate com Moraes. Ao mesmo tempo, interlocutores do STF alertaram Lula de que o tribunal tem condições de se defender e que o governo deve agir com cautela, sobretudo porque poderá depender da Corte em eventuais disputas contra decisões do Tribunal Superior Eleitoral.