DEFESA DE TAGLIAFERRO DENUNCIA ILEGALIDADES DE MORAES E APONTA FARSA JUDICIAL
Advogados acusam ministro do STF de ignorar ritos legais e questionam a imparcialidade do magistrado em processo contra ex-chefe da assessoria de informática do TSE
A defesa de Eduardo Tagliaferro, ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral, apresentou novas contestações contra as decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Em entrevista ao programa Sem Rodeios, da Gazeta do Povo, em 19 de março de 2026, o advogado Paulo Faria afirmou que o magistrado insiste em descumprir ritos processuais básicos, como a citação por carta rogatória, configurando o que classificou como uma perseguição política deliberada e contínua.
ILEGALIDADE NA INTIMAÇÃO POR EDITAL
De acordo com declarações de Paulo Faria, a defesa impetrou o terceiro embargo de declaração questionando a validade da intimação de Tagliaferro por edital. O advogado argumenta que o ministro Moraes declarou o réu em local incerto e não sabido, apesar de o próprio magistrado ter solicitado a extradição de Tagliaferro junto às autoridades da Itália anteriormente. "Como local incerto e não sabido se ele pediu a extradição dele na Itália? Então o local é sabido", questionou Faria, destacando que o Código de Processo Penal exige o uso de carta rogatória para réus que se encontram comprovadamente no exterior.

RECUSA EM PARTICIPAR DE AUDIÊNCIA CONSIDERADA FARSA
O posicionamento da defesa foi de não comparecer à audiência de instrução realizada recentemente, sob a justificativa de que o ato processual seria nulo por falta de citação válida do acusado. Durante a transmissão, Paulo Faria relatou que o juízo designou um defensor público para o caso, mas o profissional teria admitido desconhecer o processo e se recusado a interrogar as testemunhas arroladas. "Nós nos recusaríamos a participar de uma farsa", afirmou o advogado, reforçando que a defesa oficial não abandonou a causa, mas se recusa a validar o que chamou de circo armado por Alexandre de Moraes.
PRESSÃO SOBRE A JUSTIÇA ITALIANA E JULGAMENTO IMINENTE
Conforme informações divulgadas pela defesa, há uma expectativa de que o tribunal italiano decida sobre o pedido de extradição de Eduardo Tagliaferro em 20 de março de 2026. Faria revelou que Moraes teria enviado comunicações cobrando pressa da justiça da Itália para a definição do caso, o que foi interpretado como uma tentativa de pressão indevida sobre outra jurisdição. O advogado acredita que a extradição será negada devido às evidências de perseguição ideológica, citando como precedentes os asilos concedidos pela Argentina a outros brasileiros envolvidos em processos conduzidos pelo STF.

REVELAÇÕES SOBRE MENSAGENS APAGADAS E TRATAMENTO DESIGUAL
O debate também abordou as recentes revelações de mensagens entre Alexandre de Moraes e interlocutores que utilizavam recursos de visualização única no aplicativo WhatsApp. A apresentadora Mariana traçou um paralelo com o caso de Débora Rodrigues, cuja condenação foi fundamentada pelo apagamento de mensagens em seu aparelho celular. Paulo Faria classificou a conduta do ministro como grave e contraditória, sugerindo que o uso desses recursos indica a sensibilidade de conteúdos que poderiam ser comprometedores para o próprio magistrado, o que geraria um estado de exceção jurídica no país.
AÇÕES INTERNACIONAIS CONTRA O MINISTRO NA FLÓRIDA
No campo das reações institucionais, Faria anunciou que novas medidas estão sendo tomadas no exterior para frear o que chama de abusos de poder. Uma ação judicial estaria sendo ajuizada no estado da Flórida, nos Estados Unidos, diretamente contra o CPF de Alexandre de Moraes, motivada por alegações de censura e perseguição contra a brasileira Flávia Magalhães. O advogado informou que realizará novas reuniões em Washington e na Organização dos Estados Americanos em abril para registrar formalmente as violações de direitos humanos que estariam ocorrendo sob a batuta do Supremo Tribunal Federal.
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