DE LA ESPRIELLA TIRA DO MUSEU NACIONAL DA COLÔMBIA PEÇAS DE MILITÂNCIA E GOVERNO DIZ QUE ACERVO PÚBLICO NÃO SERÁ PALANQUE IDEOLÓGICO
Ministra da Cultura, Paola Holguín, defende que a instituição criada em 1823 não pode servir como instrumento de doutrinação política nem como espaço de apologia ao crime, enquanto a polícia antidistúrbios desbloqueou a principal avenida de Bogotá após horas de protesto da esquerda contra a decisão.
O governo do presidente Abelardo de la Espriella mandou retirar do Museu Nacional da Colômbia, em Bogotá, cerca de 30 peças ligadas a pautas LGBT, à militância feminista, a campanhas de candidatos da esquerda e ao acordo de paz com as Farc, numa decisão que a ministra da Cultura, Paola Holguín, defende como forma de devolver ao museu sua função de preservar o patrimônio de todos os colombianos. Segundo a ministra, o museu, por ser uma instituição do Estado, não pode servir como instrumento de doutrinação política, promover interpretações enviesadas da história nem virar plataforma para difundir a agenda de um governo.
As peças saíram na quinta-feira, dia 15, das salas Hacer sociedad, Memoria y nación e Fuerza, fe y sustancia, e entre elas estão uma bandeira do orgulho gay, cartazes das campanhas presidenciais de Carlos Pizarro, ex-comandante da guerrilha M-19, e de Bernardo Jaramillo Ossa, da União Patriótica, além do chamado balígrafo, a caneta feita com um cartucho de bala usada na assinatura do acordo com as Farc, de acordo com a imprensa colombiana. Holguín afirmou que a curadoria do museu está sendo avaliada e redesenhada e que a instituição também não pode ser cenário de apologia ao crime ou de revitimização, porque seu trabalho deve se voltar aos direitos das vítimas à verdade, à justiça e à reparação.
Depois da decisão, grupos de esquerda convocaram protestos em frente ao museu no sábado e no domingo, e o ato de domingo, dia 18, foi puxado pela senadora Aida Avella, do Pacto Histórico, que reuniu cerca de 300 pessoas, segundo o Metrópoles, e bloqueou por várias horas a Carrera Séptima, uma das principais vias do centro da capital. Como os manifestantes não liberaram a avenida depois das conversas com as autoridades, a unidade nacional antidistúrbios da polícia interveio com veículos blindados, gás lacrimogêneo e jatos de água para desobstruir a via, conforme as imagens divulgadas pelo portal Metrópoles e o relato do jornal El Universal.
A atuação da polícia segue o decreto assinado por De la Espriella na terça-feira, dia 13, que regula em quais situações a força pública pode intervir em manifestações, e coincide com a recriação da tropa antidistúrbios, que havia sido substituída por outra unidade depois de uma ordem da Corte Suprema, embora a Defensoria do Povo tenha classificado a presença dos blindados como desproporcional. Na segunda-feira, dia 19, um juizado de família de Bogotá admitiu uma ação apresentada por um dirigente da União Patriótica e por coletivos LGBT e determinou, em caráter provisório, que o museu conserve as peças retiradas e não retire outras sem ato administrativo, dando ao ministério e ao presidente um dia útil para explicar os motivos da decisão antes do julgamento de mérito, previsto para os próximos dez dias.

