O governo brasileiro ligou o sinal de alerta após a decisão do governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em entrevista de estreia ao telejornal VEJA em Foco, o ministro da Fazenda interino, Dario Durigan, admitiu que a medida norte-americana vai aumentar drasticamente a pressão sobre os bancos e as instituições financeiras que operam no Brasil. O temor dos bastidores econômicos é que o sistema bancário nacional sofra sanções severas das autoridades de Washington caso não endureça imediatamente os mecanismos de controle e prevenção à lavagem de dinheiro.

O IMPACTO FINANCEIRO QUE O PLANALTO TENTA MINIMIZAR

A declaração de Dario Durigan expõe a fragilidade institucional do Brasil diante do avanço do crime organizado e da firmeza da nova política externa americana. Ao ser questionado sobre o enquadramento do PCC e do Comando Vermelho como grupos terroristas, o ministro reconheceu que as exigências sobre o sistema financeiro nacional serão elevadas a um patamar sem precedentes. Os bancos que operam no país correm o risco real de perder o acesso ao mercado internacional ou sofrer punições diretas do Tesouro americano se forem detectadas movimentações ligadas às facções. Na prática, a medida de Trump obriga o governo brasileiro a fazer o dever de casa que há anos é cobrado pela população e pela oposição conservadora.

A RETÓRICA DA SOBERANIA PARA DISFARÇAR A INÉRCIA

Para tentar conter o desgaste político de ver uma potência estrangeira liderando o combate a facções que dominam territórios inteiros no Brasil, Durigan adotou uma postura defensiva na entrevista. O ministro afirmou que quem sofre de verdade com a atuação dessas facções é o cidadão brasileiro, e não os norte-americanos. Embora tenha dito que qualquer apoio internacional no combate ao crime organizado é bem-vindo, o chefe da equipe econômica subiu o tom para a militância esquerdista ouvir, declarando que o governo federal não vai admitir o que chamou de faca no pescoço e pressões indevidas por parte de Washington. A retórica, contudo, esbarra na realidade factual de que o governo atual tem sido duramente criticado pela falta de ações contundentes contra o narcotráfico.

O QUE O BRASILEIRO PRECISA ENTENDER

A reação do ministro da Fazenda revela o verdadeiro calcanhar de Aquiles da esquerda no poder: a segurança pública e o pragmatismo econômico. Enquanto o governo brasileiro se desgasta em discursos ideológicos sobre soberania, a Casa Branca utiliza o poder do dólar e do sistema financeiro global para asfixiar as redes que abastecem o crime organizado transnacional. Chamar a exigência de rigor bancário de faca no pescoço é uma tentativa de desviar o foco da gravidade do problema. O cidadão comum, cansado da violência e da impunidade, apoia medidas duras e quer ver os bancos fiscalizados e os criminosos tratados como os terroristas que de fato são, independentemente de onde venha a ordem para o cerco financeiro.