CRISE DO STF VIRA ATIVO ELEITORAL — ATÉ R$ 2,9 MI EM ANÚNCIOS NA META
Levantamento do Estadão achou 5.677 anúncios sobre a Corte e Moraes desde 16 de agosto e 74% com tom crítico, com forte aceleração após 3 de setembro.
A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) entrou de vez na campanha eleitoral: segundo levantamento do Estadão, desde 16 de agosto — quando o impulsionamento pago passou a ser autorizado — foram identificados 5.677 anúncios na Biblioteca de Anúncios da Meta relacionados à Corte e a seus ministros, especialmente Alexandre de Moraes, com gastos que chegam a R$ 2,9 milhões no Facebook e no Instagram. Entre os conteúdos, 74% adotaram tom crítico ao STF ou a Moraes, com expressões como “impeachment”, “Fora Moraes”, “abusos do STF”, “censura” e “ditadura de toga”.

O volume explodiu após 3 de setembro, quando a crise se agravou com a divulgação de mensagens envolvendo Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro e o embate com André Mendonça. Quase oito em cada dez resultados (4.519, ou 79,6%) começaram a circular entre 3 e 10 de setembro e acumularam gastos de até R$ 1,9 milhão, cerca de dois terços do investimento total. Candidatos ao Senado como Gustavo Gayer (PL-GO), Ubiratan Sanderson (PL-RS) e Wellington Callegari (DC-ES) transformaram o confronto com a Corte em bandeira; na Câmara, Zoe Martínez (PL-SP) impulsou peças pedindo investigação de Moraes.
O tema atravessou campos políticos e chegou às ruas: anúncios pagos convocaram apoiadores para o 7 de Setembro, com críticas a Moraes entre as principais bandeiras, em atos ligados a campanhas como as de Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo). O presidente Edson Fachin convocou sessão plenária extraordinária para 15 de setembro sobre o relatório da PF e eventual investigação envolvendo Moraes. Procurado pelo Estadão, o STF não se manifestou. Fonte: Estadão — crise no STF vira ativo eleitoral.

