O Estado de S. Paulo revelou nesta terça, 6 de outubro, mensagens de 2024 extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em que o advogado Ciro Soares descreve tentativas de aproximar o banqueiro do ministro Gilmar Mendes, do Supremo, e a troca mais direta é da noite de 17 de junho de 2024, às 23h20, quando Ciro escreveu que “o GM queria que vc fosse jantar com ele” e que “fomos só nós quatro”, depois de Vorcaro responder que tinha outro jantar, que só acabara naquele momento, e que precisava voltar cedo para São Paulo no dia seguinte.

Horas antes, por volta das 21h, Ciro avisou que Chiquinho tinha ficado esperando o banqueiro, pediu que ele ligasse porque era importante e disse que Chiquinho estava indo para a casa do G, e Chiquinho é o ex-senador Francisco Feitosa de Albuquerque Lima, irmão de Guiomar Feitosa, que foi mulher de Gilmar até o divórcio de novembro de 2025, de modo que na data das mensagens ainda era cunhado do ministro, e em outras trocas do mesmo período o advogado escreveu que Gilmar já estava ciente da ida de Vorcaro a um almoço em Brasília e, em junho, falou em uma ótima reunião com GM.

O gabinete de Gilmar Mendes negou o jantar e disse que, naquela noite, o ministro esteve no lançamento de um livro às 18h30 e numa reunião religiosa em casa às 19h30, afirmou que as mensagens foram trocadas entre terceiros e que ele não pode responder por declarações de outras pessoas, e negou ter tratado de assuntos do Banco Master com os citados, enquanto o Estadão registra que Ciro Soares é o advogado por quem Vorcaro mantinha contato com o procurador-geral Paulo Gonet, ex-sócio de Gilmar.