Eduardo Bolsonaro viajará a Washington na próxima semana para renovar a pressão pela aplicação da Lei Global Magnitsky contra Alexandre de Moraes. Em entrevista à Reuters, o ex-deputado confirmou que pretende conversar com autoridades e interlocutores norte-americanos, mas preservou os nomes e os detalhes da agenda. Eduardo afirmou que trabalha nessa frente há mais de um ano e sustenta que a iniciativa não nasceu da atual disputa presidencial, embora ele participe ativamente da campanha de Flávio Bolsonaro.

Alexandre de Moraes e Donald Trump em montagem sobre sanções dos Estados UnidosAs sanções contra Moraes foram aplicadas pelo governo Trump em 2025 e retiradas em dezembro daquele ano.

O novo elemento da ofensiva é o caso Banco Master. Eduardo avalia que as suspeitas de contatos impróprios entre Moraes e Daniel Vorcaro, apontado como responsável por uma fraude financeira bilionária, criam uma base diferente para Washington reexaminar o ministro. O tema deixou de estar limitado à atuação de Moraes nos processos contra Jair Bolsonaro e passou a incluir questionamentos relacionados a possível corrupção e abuso de poder. No Brasil, o STF deverá analisar na terça-feira (15) o relatório da Polícia Federal e decidir o encaminhamento de uma investigação sobre o ministro.

Moraes foi incluído pela OFAC na lista da Magnitsky em julho de 2025, e sua mulher também foi sancionada posteriormente. As medidas foram retiradas em dezembro após uma ofensiva diplomática do governo brasileiro. Uma nova designação bloquearia bens sob jurisdição norte-americana e impediria, em regra, transações com pessoas e empresas dos Estados Unidos. A decisão pertence ao governo Trump, mas a viagem de Eduardo busca transformar as revelações do Master em fundamento para reabrir o processo e aumentar a pressão internacional sobre Moraes.