O governo brasileiro, por meio do Ministério da Justiça e do Itamaraty, vai insistir na extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli da Itália. Zambelli foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão em regime inicialmente fechado por invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserção de documentos falsos. Ela fugiu do Brasil em 2025, foi presa na Itália em julho daquele ano e, após idas e vindas no processo de extradição, foi solta pela Justiça italiana em 22 de maio de 2026, que alegou parcialidade no julgamento brasileiro.

CONTEXTO E HISTÓRICO

Carla Zambelli foi condenada por unanimidade pela Primeira Turma do STF em maio/junho de 2025. Segundo a denúncia da PGR, ela teria sido a autora intelectual da invasão aos sistemas do CNJ em 2023, com o objetivo de emitir um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes. O hacker Walter Delgatti Neto, réu confesso, atuou na execução. A condenação incluiu perda do mandato parlamentar (efetivada após cassação) e pagamento de R$ 2 milhões em danos coletivos. Zambelli, que possui cidadania italiana, deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina e foi presa em Roma. O processo de extradição teve reviravoltas: cortes inferiores favoráveis, mas a Corte de Cassação negou o pedido, citando suposta falta de imparcialidade no STF (dupla função de Moraes).

PERSONAGENS E ENVOLVIDOS

  • Carla Zambelli (PL-SP): ex-deputada federal, bolsonarista atuante, conhecida por posições conservadoras e oposição ao governo Lula e ao ativismo judicial.
  • Alexandre de Moraes: relator do processo no STF, alvo central das críticas da defesa de Zambelli.
  • Walter Delgatti Neto: hacker condenado no mesmo caso.
  • Governo Lula: responsável pelo pedido de extradição via Ministério da Justiça e Itamaraty.
  • Justiça italiana (Corte de Cassação): negou extradição em maio de 2026.
  • Direita e bolsonarismo: veem Zambelli como vítima de perseguição política.

REAÇÕES

A direita e os bolsonaristas celebraram a soltura de Zambelli como prova de perseguição política e falta de imparcialidade do STF. Eduardo Bolsonaro classificou como “mais uma derrota de Moraes”. A ex-parlamentar e seus aliados reforçam a narrativa de que o julgamento no Brasil não respeitou garantias constitucionais. O governo Lula e o STF defendem a lisura do processo e a soberania da Justiça brasileira. A imprensa tradicional destacou a tensão diplomática entre Brasil e Itália.

CONSEQUÊNCIAS

A decisão italiana impede, por ora, o retorno imediato de Zambelli ao Brasil para cumprir a pena. O governo brasileiro insiste no pedido, com nova audiência prevista para julho de 2026. O caso expõe fragilidades nos tratados de extradição e reacende debates sobre segurança jurídica, soberania nacional e independência judicial. Zambelli permanece na Itália em liberdade, aguardando desdobramentos.

POSSÍVEIS DESDOBRAMENTOS

O Brasil pode apresentar novo pedido formal ou recorrer a instâncias políticas italianas. O caso pode gerar maior desgaste diplomático e reforçar, para a direita, a percepção de que o Judiciário brasileiro age com viés político contra opositores conservadores.