COPPOLLA DENUNCIA "DUPLO PADRÃO" DO STF: COLLOR EM CASA E BOLSONARO NO HOSPITAL
Com quadro de infecção generalizada e insuficiência renal, ex-presidente segue sob custódia enquanto Alexandre de Moraes concedeu prisão domiciliar humanitária a Fernando Collor pelo mesmo relator
O estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro, internado desde o último final de semana no Hospital DF Star, em Brasília, acendeu um alerta vermelho sobre o tratamento dispensado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a presos políticos e ex-mandatários. Diagnosticado com broncopneumonia bacteriana, desidratação severa e comprometimento das funções renais, Bolsonaro chegou a apresentar risco de infecção generalizada. Segundo o comentarista Caio Coppolla, em seu boletim desta terça-feira, 17 de março de 2026, o quadro clínico do ex-presidente é um reflexo direto da falta de acompanhamento médico adequado no regime fechado.
Coppolla destacou o que chama de "duplo padrão" nas decisões do ministro Alexandre de Moraes. O relator concedeu recentemente a prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente Fernando Collor de Mello, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, sob a justificativa de idade avançada e comorbidades como apneia do sono e transtorno bipolar. "Por que o direito à dignidade que vale para o Collor não valeria também para Bolsonaro, que tem um quadro muito mais crítico?", questionou o comentarista, lembrando que a Procuradoria-Geral da República (PGR) foi favorável ao benefício no caso de Collor.
PROGNÓSTICO MÉDICO IGNORADO DESDE DEZEMBRO
A defesa de Bolsonaro afirma que o atual diagnóstico de pneumonia e insuficiência renal já havia sido previsto em relatórios médicos submetidos ao STF em dezembro do ano passado. Naquela ocasião, os médicos alertaram explicitamente para o risco de complicações respiratórias graves em decorrência das inúmeras cirurgias abdominais e do estado de fragilidade do ex-presidente, que tem mais de 70 anos e é hipertenso. Apesar dos alertas, os pedidos de progressão para o regime domiciliar foram recusados sumariamente por Moraes.
"ESTÃO BRINCANDO COM A VIDA DO MEU PAI", DIZ FLÁVIO BOLSONARO
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) elevou o tom contra a manutenção do pai em regime fechado sob condições precárias de saúde. Em declaração emocionada, o senador afirmou que "estão brincando com a vida" do ex-presidente e exigiu o cumprimento da lei que prevê a domiciliar humanitária para garantir cuidados permanentes de técnicos de enfermagem e da família. "Está mais uma vez comprovado que onde ele está, a tendência é que vá piorando o quadro de saúde", desabafou Flávio, citando o histórico de internações recorrentes desde que Bolsonaro foi preso.
O PRECEDENTE DE "CLEZÃO" E O MEDO DE UM DESFECHO FATAL
A crítica de Caio Coppolla resgatou o trágico episódio de Cleriston Pereira da Silva, o "Clezão", que morreu dentro do sistema prisional após ter pedidos de atendimento médico e liberdade negados, apesar de laudos apontarem risco de vida. O temor da oposição é que a "perseguição desenfreada" resulte em um desfecho fatal para o ex-presidente sob custódia do Estado. "Vai esperar o presidente Bolsonaro morrer para depois pedir desculpas?", questionou Coppolla, instando o ministro Alexandre de Moraes a agir com imparcialidade e humanidade.
O QUE PODE ACONTECER A SEGUIR
A defesa de Jair Bolsonaro anunciou que ingressará com um novo pedido de prisão domiciliar humanitária assim que o laudo médico atualizado do Hospital DF Star for concluído. A expectativa é que, diante da gravidade da insuficiência renal e respiratória, o STF sofra pressão não apenas da defesa, mas de órgãos internacionais de direitos humanos. Enquanto isso, o ex-presidente permanece na unidade de terapia semi-intensiva, sem previsão de alta e sob forte escolta, enquanto seus aliados mobilizam as redes sociais denunciando o que consideram uma "vingança institucional" travestida de processo judicial.
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