Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançaram, no dia 2 de julho de 2026, a chamada Bancada da Esquerda Radical, grupo que reúne parlamentares e lideranças de esquerda para atuar de forma coordenada no Congresso e nas casas legislativas estaduais e municipais.

A iniciativa foi anunciada pela deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) em suas redes sociais, acompanhada de um manifesto que defende a necessidade de enfrentar a “extrema direita” para além das urnas, por meio da organização de lutas, disputa no campo das ideias e mobilização popular em torno de um projeto “soberano, comprometido com a revolução, o socialismo e o equilíbrio da vida em nossos biomas”.

 MANIFESTO ATACA BOLSONARISMO E DEFENDE AGENDA SOCIALISTA

No texto divulgado, o grupo afirma que o bolsonarismo “aprofunda o projeto de submissão nacional e espoliação do nosso povo” e que a esquerda precisa “retomar a ofensiva” sem “recuo, conciliação ou subordinação”. O documento também propõe 10 medidas programáticas, entre elas a revogação do teto de gastos, da reforma trabalhista e da reforma da Previdência, além do fim da autonomia do Banco Central.

A criação da bancada ocorre a poucos meses das eleições municipais de 2026 e sinaliza o esforço de setores mais à esquerda do campo governista em marcar posição própria, mesmo dentro da base de apoio ao governo Lula.

INTEGRANTES DA BANCADA DA ESQUERDA RADICAL

O grupo é formado inicialmente por:

  • Sâmia Bomfim (PSOL-SP), deputada federal
  • Glauber Braga (PSOL-RJ), deputado federal
  • Fernanda Melchionna (PSOL-RS), deputada federal
  • Fábio Félix (PSOL-DF), deputado distrital
  • Renato Freitas (PT-PR), deputado estadual
  • Vivi Reis (PSOL-PA), vereadora
  • Jones Manoel (PSOL-PE), youtuber e pré-candidato a deputado federal

 REAÇÃO DA DIREITA E CONTEXTO POLÍTICO

A iniciativa já é vista pela oposição de direita como mais um sinal da radicalização de setores da base aliada ao governo Lula, que buscam endurecer o discurso e mobilizar sua militância em ano eleitoral. Para os bolsonaristas, o movimento reforça a percepção de que o PT e seus aliados mantêm um projeto ideológico incompatível com a defesa da propriedade privada, da livre iniciativa e da segurança jurídica.

A articulação surge em um momento em que o governo Lula enfrenta críticas por resultados econômicos modestos, persistência de problemas estruturais e o uso contínuo de instituições para perseguir adversários políticos.