ASSESSOR DE TRUMP TERIA REUNIÃO COM FUTURO PRESIDENTE DO TSE, ITAMARATY ACUSA INTERFERÊNCIA
Darren Beattie, conselheiro sênior do Departamento de Estado americano, pediu audiência com Nunes Marques (futuro presidente do TSE) e visita a Bolsonaro na prisão – mas Lula revogou o visto em retaliação ao bloqueio ame
O assessor sênior do Departamento de Estado dos EUA, Darren Beattie, teve seu visto revogado pelo Itamaraty a pedido do presidente Lula (PT), impedindo sua entrada no Brasil na próxima semana. Beattie solicitou audiência ao ministro Kassio Nunes Marques (STF), que assume a presidência do TSE em 4 de junho de 2026, para discutir as Eleições 2026, além de uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso na Papudinha desde janeiro. O ministro Alexandre de Moraes inicialmente autorizou a visita a Bolsonaro, mas voltou atrás após o Itamaraty alertar para “indevida ingerência” em assuntos internos. Lula justificou a proibição como reciprocidade: só libera se os EUA revogarem o bloqueio ao visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, de sua esposa e filha (de 10 anos), cancelados em 2025 por supostas ligações com o programa Mais Médicos e acusações de trabalho escravo de médicos cubanos.
O PEDIDO QUE ACENDEU O ALARME NO GOVERNO
Beattie, figura ligada ao governo Trump e crítico ferrenho do STF e de Moraes (já chamou o ministro de “arquiteto da censura”), planejava agenda oficial em evento sobre minerais críticos em São Paulo, mas incluiu encontros políticos não declarados. A defesa de Bolsonaro pediu autorização ao STF para o encontro na prisão nos dias 16 ou 17 de março. Moraes autorizou inicialmente, mas recuou em 12 de março, citando que a visita não estava no contexto diplomático aprovado e poderia levar à reanálise do visto (decisão reproduzida por BBC News Brasil e G1). O Itamaraty viu risco de interferência externa em ano eleitoral, especialmente com Nunes Marques à frente do TSE a partir de junho.
O “TOMA-LÁ-DÁ-CÁ” QUE LULA TRANSFORMOU EM RESPOSTA PÚBLICA
Lula foi direto durante inauguração do Setor de Trauma do Hospital Federal do Andaraí (RJ), em 13 de março: “Aquele cara americano que disse que viria pra cá visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que estão bloqueados”. Ele citou Padilha, esposa e filha de 10 anos como “protegidos” pela retaliação. O visto de Beattie foi revogado por “omissão e falsificação de informações sobre o motivo da viagem” (confirmado por Itamaraty à Reuters, Agência Brasil e O Globo). A medida ecoa sanções americanas de agosto de 2025 contra brasileiros ligados ao Mais Médicos, incluindo Padilha, por alegações de exploração de médicos cubanos (DW e Crusoé).
IMPLICAÇÕES PARA AS ELEIÇÕES DE 2026: SOBERANIA OU MEDO DE INTERFERÊNCIA?
O episódio revela tensão crescente entre Brasil e EUA no segundo mandato de Trump. Beattie, cotado para influenciar política externa americana sobre o Brasil, buscava contato direto com o futuro presidente do TSE – o que opositores veem como tentativa de monitorar ou questionar o processo eleitoral. Lula dobrou a aposta na “altivez soberana”, mas analistas da CNN Brasil apontam endurecimento diplomático que pode repercutir em Washington, com risco de retaliações. Comentários nas redes, como no post do Metrópoles, vão de “Lula não quer interferência estrangeira, pois quer fraudar as eleições” a “EUA vão acabar com Foro de São Paulo” e “Trump bota pra moer essa quadrilha do Lula”, mostrando polarização alta.
QUEM É DARREN BEATTIE E POR QUE SUA VISITA ERA TÃO SENSÍVEL
Beattie é estrategista de direita, ligado a Trump desde 2016, e agora conselheiro sênior para o Brasil no Departamento de Estado. Crítico do Judiciário brasileiro, ele representa linha dura contra o que vê como “autoritarismo” no STF. Sua tentativa de contato com Nunes Marques (antes da posse no TSE) e Bolsonaro (preso por golpe de Estado) alimentou suspeitas de ingerência. Moraes negou a visita alegando falta de comunicação diplomática prévia. O caso expõe fragilidades: um assessor estrangeiro querendo discutir eleições brasileiras diretamente com o árbitro do pleito.
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