O influenciador financeiro Matias von Oertzen, do perfil Filho Rico, publicou no Instagram ao meio-dia deste sábado, dia 3, um carrossel de dez imagens que abre com a frase “As eleições já estão decididas!” e completa, sobre uma montagem com os rostos de Lula e Flávio Bolsonaro, que a aposta agora não é mais do Polymarket, e sim “do maior banco de investimentos do mundo”. O número que sustenta a chamada é real e saiu da pesquisa mensal que o JPMorgan faz com clientes que investem em mercados emergentes, na qual 59,7% dos entrevistados disseram acreditar na vitória de Flávio e 40,3% na reeleição de Lula, como noticiou o Money Times na segunda-feira, dia 28.

O próprio post, porém, trata de baixar o tom da manchete já na terceira imagem, que tem o título “Isso não é pesquisa de voto” e explica que o levantamento mede “o que quem investe acha que vai acontecer, e não em quem o eleitor vota”. Matias lembra ainda que o banco registra empate dentro da margem de erro nas simulações de segundo turno, o que corresponde ao trecho do relatório reproduzido pelo Money Times, segundo o qual “a maioria das simulações de segundo turno mostra os dois empatados dentro da margem de erro, enquanto os mercados preditivos indicam maiores chances de mudança de governo”, e “uma vitória no primeiro turno não é nosso cenário base, mas tornou-se mais plausível à medida que o apoio nas pesquisas a outros candidatos diminuiu”.

A parte mais útil do carrossel está nos números que o JPMorgan colocou para a bolsa e para o dólar, todos confirmados pelo InfoMoney, que descreveu o índice MSCI Brazil negociando a 8,9 vezes o lucro projetado para os doze meses seguintes, contra uma média de 10,9 vezes nos períodos de melhora da última década, o que aproxima o preço atual de um cenário de deterioração. Pelas contas do banco, uma migração para o cenário de melhora daria potencial de alta de 22% e um ajuste estrutural levaria a cerca de 50%, enquanto a deterioração e a crise implicariam quedas de 7% e 21%, e no câmbio um resultado visto como ruim para as contas públicas empurraria o dólar para perto de R$ 5,50, ao passo que compromissos fiscais claros abririam espaço para a moeda testar a região de R$ 4,90, num mercado em que 47% dos investidores ouvidos apontam o câmbio como o ativo que mais deve se mexer com a eleição.

Para Matias, o gatilho não vem na apuração, mas quando o eleito, seja quem for, apresentar equipe econômica, meta fiscal e apoio no Congresso, sobretudo no Senado, que terá 54 das 81 cadeiras renovadas no domingo, dia 4, junto com as 513 da Câmara, e que é a Casa que aprova nomes para o Banco Central e para o Supremo. Com a dívida bruta passando de 83% do PIB, contra 74% na eleição passada, ele conclui que quem ganhar terá pouca margem de erro e aconselha os seguidores a não apostar tudo num resultado político, e sim a montar uma carteira que, nas palavras dele, “aguente se der ruim e aproveite se der bom”.