O governo da Argentina reagiu às críticas do Brasil e à convocação do embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas, após a participação do presidente Javier Milei na convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro. Em nota da Casa Rosada, o governo argentino acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT de interferência nos assuntos internos do país vizinho.

VISITA A CRISTINA KIRCHNER E ACUSAÇÕES DE INTROMISSÃO

A Casa Rosada destacou que, em julho de 2025, dois meses antes das eleições legislativas argentinas, Lula visitou a ex-presidente Cristina Kirchner, então em prisão domiciliar, e evitou qualquer encontro com Milei. O comunicado classificou a visita como “clara intromissão nos assuntos políticos internos”, acompanhada de comentários que, segundo o governo argentino, demonstraram desprezo pelas instituições e pelo Judiciário local.

A nota também comparou a autorização da Justiça argentina para a visita de Lula com a negativa da Justiça brasileira ao pedido de Milei para visitar Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar.

ACUSAÇÕES SOBRE CAMPANHA DE 2023 E FINANCIAMENTO

O governo argentino relembrou críticas de integrantes do governo brasileiro a Milei e voltou a acusar o PT de tentar influenciar a eleição presidencial argentina de 2023. Segundo a Casa Rosada, consultores ligados à campanha de Sérgio Massa, candidato peronista derrotado por Milei, teriam atuado com apoio brasileiro. Milei chegou a afirmar em entrevista que o governo brasileiro teria financiado parte de uma “campanha anti-Argentina”.

CRISE DIPLOMÁTICA APÓS DISCURSO DE MILEI

A tensão foi desencadeada pelo discurso de Milei na convenção do PL, em São Paulo, no sábado (25). O presidente argentino criticou duramente Lula, chamou o ministro do STF Alexandre de Moraes de “lixo careca” e atacou o que classificou como socialismo no Brasil. Em resposta, o Itamaraty convocou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas — medida considerada dura na diplomacia — e também convocou o embaixador argentino no Brasil para prestar esclarecimentos.

A troca de acusações eleva o nível do conflito diplomático entre os dois países, principais parceiros comerciais na América do Sul, em meio à polarização política regional e às eleições brasileiras de 2026.