O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, estava ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até poucas horas antes de a corporação deflagrar a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado.

Andrei acompanhou Lula na viagem ao G7 na França e em agendas em Genebra, na Suíça. O delegado retornou com o presidente no mesmo avião, que pousou em Brasília por volta das 4h30 da manhã desta quinta-feira (18). Poucas horas depois, agentes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços de Jaques Wagner em Brasília e na Bahia.

Interlocutores do diretor-geral afirmam que Andrei ainda não conversou com Lula sobre a operação, pois o presidente estaria descansando após a longa viagem internacional. Na quarta-feira (17), o chefe da PF participou, em Genebra, de uma reunião com Lula e o chefe da Interpol, o delegado brasileiro Valdecy Urquiza.

CONTEXTO DA OPERAÇÃO

A 9ª fase da Compliance Zero mira supostas irregularidades envolvendo o Banco Master e atingiu Wagner por suspeitas de favorecimento ao banco em troca de vantagens indevidas. O timing da operação — logo após o retorno de Lula — gera questionamentos sobre coordenação e comunicação dentro do governo.

A VISÃO DA DIREITA

Para a direita conservadora, o episódio reforça a percepção de que a PF atua de forma seletiva e politizada. Enquanto o diretor-geral viaja com o presidente, a corporação deflagra operação contra um dos principais aliados de Lula no Senado. Críticos apontam contradição: o mesmo governo que acusa a oposição de golpismo agora enfrenta investigações graves em seu núcleo duro.

O caso do Banco Master, que já envolve Daniel Vorcaro e outros, agora chega ao coração do petismo, expondo possíveis esquemas de influência e corrupção no atual governo.

IMPACTOS POLÍTICOS

A operação pode gerar forte desgaste interno no governo Lula, especialmente por atingir Jaques Wagner, figura central na articulação política do Planalto. A direita deve usar o episódio para questionar a independência da PF e o discurso de “combate à corrupção” do PT.

O fato de Andrei Rodrigues ter estado com Lula até o último momento alimenta especulações sobre o nível de informação do presidente sobre as ações da PF.