O deputado federal André Janones, da Rede Sustentabilidade, voltou a movimentar os bastidores políticos na tentativa de forçar sua aceitação dentro do bloco governista. Em reunião realizada com a cúpula nacional de seu partido, Janones colocou na mesa o plano de se lançar como candidato ao governo de Minas Gerais. O movimento, revelado em reportagem do portal Metrópoles, traz como justificativa a oferta de um palanque oficial no estado para o presidente e pré-candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva. Contudo, a manobra esbarra no histórico desprezo do petismo em relação ao parlamentar, que costuma ser isolado pela cúpula governista após ser utilizado em momentos de conveniência eleitoral.

A SURPRESA E O IMPASSE NA REDE EM MINAS

A investida de Janones pegou de surpresa os próprios dirigentes e correligionários da Rede Sustentabilidade em solo mineiro. A base regional do partido contava de forma intransigente com a candidatura do político para a reeleição na Câmara dos Deputados, utilizando seu potencial de votos para puxar a legenda. Além disso, as lideranças estaduais da Rede já se encontram em avançadas negociações para fechar uma aliança local em torno da candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, do PDT. Fontes internas revelaram que o plano majoritário de Janones, embora ventilado em sua filiação, era considerado carta fora do baralho e sua insistência ameaça implodir os acordos de centro-esquerda no estado.

O DESPREZO DO PT E AS ARTICULAÇÕES DE PALANQUE

Desde a campanha eleitoral de 2022, quando atuou na linha de frente digital como um dos maiores propagadores de desinformação e fake news para conter o avanço conservador, Janones tenta cavar um espaço de prestígio no núcleo duro do petismo. Na época, os métodos heterodoxos e agressivos do deputado foram tolerados pela esquerda, mas assim que o pleito terminou, o parlamentar foi sumariamente ignorado e deixado na planície. Para a disputa ao governo de Minas, o Palácio do Planalto articulava prioritariamente o nome do senador Rodrigo Pacheco, do PSD. Como Pacheco resiste e busca um palanque de centro amplo, o PT trabalha com alternativas internas, mantendo Janones completamente fora de qualquer cogitação realista.

A COBRANÇA PELA HISTÓRICA RACHADINHA

Caso consiga sustentar a aventura de entrar formalmente na corrida pelo Palácio Tiradentes, Janones enfrentará um massacre em sua biografia durante os debates eleitorais. O deputado será cobrado de forma implacável pelo acordo de não persecução penal firmado com a Procuradoria-Geral da República, no qual aceitou confessar o crime e devolver a quantia de 131.500 reais aos cofres públicos. O procedimento foi deflagrado pelo Supremo Tribunal Federal em setembro de 2024, após reportagem do Metrópoles revelar áudios em que Janones exigia repasses de salários de seus próprios assessores para cobrir despesas pessoais. A tentativa do parlamentar de se cacifar bagunça um cenário onde a liderança da corrida eleitoral é mantida pelo senador Cleitinho, do Republicanos, consolidando a força do conservadorismo no estado.