O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, alertou o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino Santos, sobre informações de que dois servidores da supervisão bancária teriam recebido valores de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, segundo depoimento de Ailton divulgado pela CNN Brasil. O relato consta da oitiva prestada em 25 de maio de 2026, por videoconferência, no âmbito da investigação que apura suspeitas de corrupção e organização criminosa envolvendo Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza. O conteúdo passou a ficar disponível depois que o ministro André Mendonça, do STF, retirou o sigilo de processos do caso Master, atendendo a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin. Conforme Ailton, Galípolo o procurou em 7 de janeiro deste ano e disse: "Ailton, nós temos um problema com o Belline e o Paulo. Recebi informações de interlocutores em condição de anonimato de que eles receberam valores". Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central

Ailton afirmou à CNN que ficou "chocado" e, ainda naquele dia, chamou Belline e Paulo Sérgio para prestar esclarecimentos; depois de ouvi-los, decidiu afastar os dois. À época, Belline era chefe do Departamento de Supervisão Bancária do BC e Paulo Sérgio também atuava no setor responsável pela supervisão das instituições financeiras. A Polícia Federal aponta que os dois mantinham relação próxima com Vorcaro e prestavam uma espécie de consultoria informal ao então controlador do Master. Belline chegou a criar, em outubro de 2025, um grupo de WhatsApp com Vorcaro e Paulo Sérgio; segundo a PF, o espaço servia para orientações ao banqueiro, que enviava documentos do Master e pedia opinião dos servidores antes de encaminhá-los oficialmente ao BC. Ailton disse que a relação era conhecida na autarquia, mas vista até então como "republicana, natural", e que os dois resistiam a avançar nas fiscalizações relacionadas ao Master. Sede do Banco Central do Brasil em Brasília

No depoimento, Ailton também relatou reunião com Vorcaro pouco antes da liquidação do Banco Master, com participação dele, de Vorcaro, de Belline e de Paulo Sérgio; em seguida, comunicou a Galípolo que votaria pela liquidação. Questionado sobre o sigilo das avaliações internas, Ailton respondeu que "não confiava" no ambiente porque informações vazavam com frequência: "Era um ambiente hostil, muito difícil. Tudo chegava na imprensa ou nos fiscalizados". Segundo ele, Vorcaro parecia ter conhecimento antecipado de movimentos internos da autoridade monetária. A defesa de Paulo Sérgio Neves de Souza afirmou, em nota citada pela CNN, que o servidor jamais protegeu interesses de Vorcaro, que os contatos foram institucionais, e que ele teria identificado problemas graves no Master já em setembro de 2024, com achados de rombo da ordem de R$ 12 bilhões, defendendo internamente a liquidação desde março de 2025. A revelação do alerta de Galípolo aprofunda o escândalo Master no coração do próprio BC, no braço de supervisão do Estado. Fonte: CNN Brasil. Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master