A Advocacia-Geral da União, comandada por Jorge Messias, informou na tarde desta sexta-feira, 9, que vai pedir à revista Veja direito de resposta e a retificação da reportagem em que Daniel Vorcaro relata pagamentos para um documentário sobre Lula e uma taxa para o Banco Master entrar em fundos de pensão. A providência atende pedidos da Casa Civil e do Ministério da Saúde. No ofício à AGU, a Secretaria Especial para Assuntos Jurídicos da Casa Civil classificou a matéria como desinformação com potencial de impacto na eleição, por imputar a Lula o recebimento de vantagens indevidas, e falou em fortes indícios de manipulação, falseamento e dano à imagem da Presidência e à integridade do processo eleitoral.

O Ministério da Saúde, no processo SEI 25000.154546/2026-59, pede duas coisas à AGU. A primeira é uma perícia fonética do áudio publicado pela Veja, para checar autenticidade, autoria e se houve corte, edição ou montagem. A segunda é a notificação da Editora Abril e, se for o caso, uma ação com base na Lei 13.188/2015 para que a resposta saia com destaque proporcional ao da reportagem. Padilha, citado no anexo como articulador da entrada na Petros, trata o relato como falso. A AGU disse que mantém compromisso com a liberdade de imprensa e que, no período eleitoral, a informação verificada é condição do debate.

A reportagem da Veja, assinada por Robson Bonin, saiu nesta sexta com um anexo de colaboração que a Procuradoria-Geral da República não aceitou e com um áudio em que a voz atribuída a Vorcaro fala de adiantamento a Paulo Okamotto e de dinheiro no filme. A Polícia Federal afirmou que o banqueiro não prestou depoimento com esse teor. O advogado Daniel Bialski, porém, confirmou ao Radar que a voz em um dos áudios é do cliente, sem saber a data nem a circunstância, e disse que só Vorcaro poderá confirmar se os fatos procedem. O pedido de resposta foi anunciado a 16 dias do segundo turno e ainda não há decisão judicial.