O deputado federal Marcel van Hattem (NOVO-RS) protagonizou um embate histórico na Câmara dos Deputados ao enfrentar o General Emílio Vanderlei Ribeiro, chefe da assessoria parlamentar do Exército, após uma reunião da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional. O parlamentar reagiu energicamente a uma tentativa de abordagem reservada por parte do militar, que buscava questionar as críticas feitas pelo deputado ao comando das Forças Armadas. Van Hattem não recuou e, em voz alta diante de câmeras e outros presentes, reafirmou sua postura crítica, classificando o Comandante do Exército, General Tomás Miguel Ribeiro Paiva, como frouxo por sua alegada subserviência às decisões do Poder Judiciário.

CONFRONTO DIRETO E TENSÃO NO PARLAMENTO

A discussão, registrada em vídeo pelo canal Poder360 intitulado "Van Hattem chama comandante do Exército de frouxo em discussão com assessor", mostra o General Ribeiro tentando isolar o parlamentar para uma conversa privada. Van Hattem recusou a abordagem de canto e disparou: "Se o senhor defende um frouxo, é frouxo também. É frouxo e é covarde". O parlamentar criticou o fato de o militar de alta patente tentar intimidar um deputado eleito dentro do exercício de suas funções legislativas, destacando que tal comportamento é incompatível com o decoro esperado de um oficial general.

CRÍTICAS À SUBMISSÃO AO JUDICIÁRIO

O cerne da indignação de Van Hattem reside no que ele descreve como a omissão das Forças Armadas diante de abusos de autoridade cometidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Durante o embate, o deputado afirmou que o Exército está "batendo continência para bandido" e acusou o comando militar de se omitir enquanto parlamentares e cidadãos têm seus direitos constitucionais violados. "O Alexandre de Moraes manda nele", afirmou Van Hattem, referindo-se ao General Tomás Paiva, sugerindo que a hierarquia militar foi capturada por interesses políticos e judiciais.

REGISTRO DE BOLETIM DE OCORRÊNCIA E REAÇÃO DA OPOSIÇÃO

Após o incidente, Marcel van Hattem registrou um Boletim de Ocorrência contra o General Ribeiro, alegando intimidação e ameaça. Parlamentares de oposição manifestaram apoio imediato ao deputado, classificando a atitude do oficial como uma afronta à independência dos Poderes. O bloco oposicionista na Câmara solicitou o afastamento imediato do general de suas funções de interlocução parlamentar, argumentando que a tentativa de constranger um representante do povo por suas opiniões fere o artigo 53 da Constituição Federal, que garante a inviolabilidade parlamentar.

O PAPEL DA ASSESSORIA PARLAMENTAR DO EXÉRCITO

A Assessoria Parlamentar do Exército tem como função técnica a articulação de recursos e projetos estratégicos junto ao Congresso Nacional. No entanto, a conduta de Ribeiro foi vista como uma politização indevida da farda para silenciar críticas legítimas de um membro do Legislativo. O deputado ressaltou que o Exército brasileiro, instituição que deveria ser orgulho nacional, hoje envergonha a população ao demonstrar fragilidade diante de decisões que ele considera inconstitucionais, preferindo confrontar deputados a defender a ordem democrática.

DESDOBRAMENTOS INSTITUCIONAIS

O Exército Brasileiro ainda não emitiu uma nota oficial detalhada sobre o comportamento de seu assessor parlamentar, mas o caso já reverbera nas instâncias disciplinares da Câmara. Van Hattem prometeu levar o caso adiante para garantir que nenhum outro parlamentar seja alvo de tentativas de "puxar no canto" para ser intimidado por militares. Até o momento, não há confirmação oficial de punição administrativa ao General Ribeiro, mas a pressão política para sua saída da assessoria parlamentar cresce diariamente entre os membros da Comissão de Defesa Nacional.

INVIOLABILIDADE PARLAMENTAR EM XEQUE

Este episódio se soma a uma série de embates entre o deputado gaúcho e órgãos de segurança e justiça. Van Hattem já é alvo de investigações no STF por críticas anteriores a delegados da Polícia Federal, o que reforça sua retórica de que o Brasil vive um estado de exceção onde o direito de crítica foi abolido. O encerramento da discussão na Câmara deixou uma pergunta central para os observadores políticos: até que ponto a farda será utilizada como escudo para proteger o atual alinhamento do comando militar com o governo e o Judiciário?