A oposição no Congresso anunciou e protocolou nesta terça-feira (1º/9) novos pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF, depois que o relator André Mendonça retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal sobre o celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O senador Carlos Viana (PSD-MG) apresentou o que chamou de 54º pedido contra o magistrado. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), disse que quer a apuração. Flávio Bolsonaro (PL) foi à tribuna e cobrou que o processo comece “hoje mesmo”. Impeachment, neste caso, é o pedido para o Senado julgar se um ministro do Supremo cometeu crime de responsabilidade e deve perder o cargo.

A ofensiva veio das mensagens encontradas no celular de Vorcaro, em que o banqueiro pede ajuda diante das investigações do Banco Master e cita o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) deu 48 horas para Moraes se explicar. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) defendeu a renúncia e disse que articulará obstrução de votações até o impeachment ou a saída. A oposição também anunciou queixa-crime à PGR, ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, e cobrança a Lula pela demissão de Andrei. Não há condenação nem denúncia recebida: o material é relatório policial, e o contato estava salvo no aparelho como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.

Quem decide se o impeachment de um ministro do STF começa é o presidente do Senado. Davi Alcolumbre (União-AP) sinalizou que não vai andar com os pedidos. “Isso não é normal. 109 solicitações no Congresso dos 10 ministros do Supremo”, disse. Moraes concentra a maior parte. Sem o aval de Alcolumbre, o processo não entra em votação. Moraes não se pronunciou sobre as mensagens.