GLOBO CANCELA O DEBATE DEPOIS QUE ESTELA PROÍBE O PÚLPITO VAZIO DE LULA
A ministra do TSE atendeu o PT e tirou a cadeira vazia e as perguntas a quem faltasse, Gilmar Mendes colocou Renan Santos no programa minutos depois, Flávio desistiu chamando a ordem de censura, e a emissora cancelou o encontro que seria às 21h30
A TV Globo cancelou na noite de quinta-feira (1º) o debate presidencial que seria às 21h30, menos de uma hora antes, depois de duas decisões mudarem as regras que a emissora tinha combinado com as campanhas. Por volta das 18h30, a ministra Estela Aranha, do TSE, atendeu um pedido da coligação de Lula e proibiu o púlpito vazio com o nome do presidente e as perguntas que os presentes fariam a quem não comparecesse. Às 19h24 Flávio Bolsonaro escreveu que não iria, “em função da censura imposta ao evento pelo TSE”, e que a imprensa tem de ser livre e as eleições, limpas. Às 19h27 Gilmar Mendes, no STF, mandou incluir Renan Santos, do Missão, a pedido do Solidariedade, e a CNN registrou que o próprio Renan não sabia do pedido. Às 20h39 a Globo cancelou e disse que as ordens eram interferência indevida na liberdade de imprensa.
A ata das regras, assinada por todos os partidos, inclusive o PT, previa que o candidato ausente deixasse o púlpito vazio, com uma placa com o nome, e que numa rodada de tema livre os presentes pudessem usar trinta segundos para fazer a pergunta que fariam a quem faltou. Lula tinha avisado na quarta que não iria e daria entrevista ao Flow. Estela escreveu, no trecho citado pela Veja, que a regra poderia “criar situação de desequilíbrio entre os participantes”, com espaço para falar do ausente fora da dinâmica do debate, embora a presença seja facultativa. Gilmar, ao contrário do que Kassio Nunes Marques já tinha decidido no TSE, entendeu que Renan cumpria os critérios objetivos do regulamento da própria Globo. Na véspera, o TSE e o STF já tinham negado a entrada dele. Com Lula e Flávio fora, o Metrópoles chegou a apontar Renan no programa ao lado de Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, mas o encontro não aconteceu.
À noite, Flávio gravou um vídeo ao lado de Pablo Marçal. Disse que estava todo mundo pronto, que ninguém compactua com a censura, que a interferência na véspera do debate causa insegurança jurídica no país e que ele não vai compactuar com interferência do Judiciário na eleição. Estela foi secretária nacional de Direitos Digitais no Ministério da Justiça quando Flávio Dino comandava a pasta, entre 2023 e 2024, e Lula a nomeou para o TSE em agosto de 2025. A Folha publicou nesta sexta um vídeo em que ela diz “voto em Lula no segundo turno” e “eu voto 13”, gravação cuja data o jornal não conseguiu confirmar, e a ministra não quis comentar. No Estadão, Ricardo Corrêa escreveu que as decisões de Estela e de Gilmar inovam, interferem nas regras feitas pela emissora com as campanhas e atropelam uma decisão unânime do próprio STF. Na Jovem Pan, Cristiano Vilela disse que a interferência tira a autonomia do jornalismo, e Roberto Motta disse que a entrada de Renan “não parece ser coisa de última hora” e que Flávio “não tem nada a ganhar” participando nessas condições.

