PF MAPEIA TRÊS EIXOS DE FRAUDES BILIONÁRIAS NO BANCO MASTER
Investigação aponta esquema para inflar património de Daniel Vorcaro em 40 mil milhões de reais com uso de fundos de pensão e propinas no BRB.
A Polícia Federal (PF) consolidou o mapeamento de três eixos fundamentais que estruturam as fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e o seu proprietário, Daniel Vorcaro. De acordo com informações reveladas nesta segunda-feira pelo analista Eli Jonas Maia no programa CNN Novo Dia, as investigações apontam para um esquema complexo que teria inflado o património de Vorcaro até atingir a marca de 40 mil milhões de reais. O caso, que tramita em inquéritos centrais em São Paulo e Brasília, revela uma teia de corrupção que envolve desde institutos de previdência municipais até a cúpula de bancos regionais.
O ESQUEMA PARA INFLAR PATRIMÓNIO PÚBLICO
O primeiro eixo da investigação, concentrado em São Paulo, detalha como o Banco Master utilizou institutos de previdência de estados e municípios para captar recursos de forma temerária. Segundo a Polícia Federal, o grupo utilizava o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para atrair investimentos de servidores públicos, resultando em aportes fraudulentos. Na última semana, uma operação identificou que apenas uma prefeitura realizou um aporte de 13 milhões de reais no banco, configurando o que os investigadores classificam como gestão fraudulenta para sustentar o crescimento artificial da instituição.
A CONEXÃO COM O BRB E O PAGAMENTO DE PROPINAS
O segundo eixo foca num inquérito em Brasília que aponta um complô entre o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB). A investigação indica que houve uma tentativa do BRB de salvar o Master no ano passado através da compra de 12 mil milhões de reais em cartas de crédito consideradas "podres". O Banco Central manifestou oposição à transação desde o início. Este braço da operação resultou na prisão preventiva do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, acusado de receber 50 milhões de reais em propinas, pagos através de imóveis de luxo.
ATAQUES AO BANCO CENTRAL E INFLUENCIADORES
O terceiro eixo, denominado pelos delegados como "os filhotes", abrange inquéritos derivados que investigam a contratação de influenciadores digitais e páginas de fofoca. O objetivo desta rede seria atacar o Banco Central e defender o Banco Master perante a opinião pública. A Polícia Federal aponta que dinheiro captado de forma fraudulenta foi utilizado para financiar estas campanhas de desinformação entre o fim de 2024 e o início de 2025. Este eixo também apura o vazamento de mensagens pessoais de Vorcaro, revelando o alcance da rede de influência do grupo.
O PAPEL DO JUDICIÁRIO E O AVANÇO DAS INVESTIGAÇÕES
A complexidade do caso Master expõe a fragilidade dos mecanismos de controlo sobre o sistema financeiro quando há conivência política e institucional. Enquanto o Banco Central tentava travar as negociações suspeitas com o BRB, o esquema avançava sobre o dinheiro de pensões de servidores, evidenciando uma falha grave na proteção do património público. O avanço da Polícia Federal sobre estes três eixos é visto por analistas como um passo crucial para desmantelar uma das maiores estruturas de fraude financeira montadas nos últimos anos no Brasil.
EXPECTATIVAS PARA OS PRÓXIMOS DESDOBRAMENTOS
Os investigadores afirmam que os próximos passos da operação seguirão a linha de rastreamento de novos institutos de previdência que possam ter sido vítimas do esquema. A manutenção das prisões preventivas e a análise do material apreendido nos imóveis de luxo de Paulo Henrique Costa devem fornecer novos nomes de políticos e gestores envolvidos na facilitação das fraudes. Até ao momento, o Banco Master não emitiu uma nota oficial detalhada sobre o mapeamento específico destes três eixos apresentados pela Polícia Federal.

